“Who Built the Moon” Não espere encontrar algo do Oasis aqui, e isso é bom!

Se você estiver lendo esse texto em 2025, sim, o Oasis voltou. Mas o assunto aqui não é a banda de Manchester, e sim a carreira solo de Noel Gallagher. Mais especificamente o ótimo álbum Who Built the Moon (2017) sendo o terceiro álbum de sua banda High Flying Birds. Meu primeiro contato com os discos do guitarrista junto a sua banda foi através desse álbum que vi em uma extinta sessão de CDs que existia nas lojas americanas na minha cidade natal. Ao passar os olhos em várias estantes, a capa me chamou a atenção pelas cores e o minimalismo. Quando cheguei mais perto e li o nome escrito no canto da capa, não tive dúvidas que levaria aquele CD para casa naquele dia. Nos dias seguintes fiz muitas viagens de carro a cidades vizinhas, que levavam em torno de 1h, o que era tempo suficiente para escutar esse disco várias vezes durante dias.

Agora, se você for ouvir esse disco pensando em encontrar algo parecido com o que o Oasis fazia, está enganado. Mas isso é bom, você não sai de uma banda para uma carreira solo para fazer o mesmo som, certo? No disco você vai encontrar uma atmosfera rítmica cheia de distorções psicodélicas junto a sintetizadores e ecos bem colocados, tendo tudo isso uma timbragem suja com o lado melódico afiado do Noel. É muito interessante ver no decorrer das faixas o músico trazendo seu lado experimental, cheio de curiosidades em querer navegar em outras sonoridades.

O disco foi produzido por David Holmes, levando 4 anos para ser finalizado, mas a espera pelas palhetas do Gallagher vale a pena. Destaco as canções Fort Knox que abre o álbum com sua base rítmica que parece desaguar nos backing vocals, Keep On Reaching vem com seu poderoso refrão, o que é um contraste em relação a faixa Be Careful What You Wish For que parece ser quase falada a sussurros intimistas. O guitarrista sabe, como poucos, fazer uma boa canção pop com bases pesadas. É o exemplo da Black & White Sunshine.

Nas canções instrumentais Interlude (Wednesday Part 1) e End Credits (Wednesday Part 2) temos um lado mais sensível em questões harmônicas do disco. Uma das minhas favoritas do álbum é a sombria The Man Who Built The Moon que tem uma excelente construção atmosférica de encadeamento de acordes que engrandece de forma orgânica as letras. 

No fim, esse álbum é o mais experimental dele. É indicado para quem é inquieto em ouvir um pop que foge do convencional (que é fabricado em escala industrial que temos hoje) e não ficar só na nostalgia de querer ouvir algo semelhante ao que o Oásis fazia. Todas as canções vão crescendo, cada vez que você escuta o disco novamente. Em uma entrevista de divulgação do álbum em 2017. Noel, sempre com sua sinceridade e ironia, declarou que espera que o fã saudosista do Oasis “odeie o disco”! Espero que você não seja um deles.

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