Hermanos Gutiérrez, um pouco desse faroeste moderno pela costa Sul-Americana

Começar um site com um texto sobre música instrumental? Sim, isso mesmo! Por que não? A música vai muito além de um cantor ou vocalista de uma banda que solta a voz em cima de um palco e a maioria das pessoas lembram apenas do seu nome. Aqui vou trazer uma dupla de “suíços equatorianos”, os Hermanos Gutiérrez, que aproveitam dessa mistura cultural familiar para trazer uma sonoridade muito peculiar de um folk sul-americano com toque de blues.

Na noite de sexta-feira de 11 de abril, em Curitiba, tive o primeiro contato com esse duo que transborda sonoridade latina. Com pitadas de Surf Music e influência clara das trilhas de cinema de Ennio Morricone, (que inclusive recomendo ouvir as brilhantes composições feitas por ele. Todas, sem exceção!) criando uma mística sonora e atmosférica no palco. Nas primeiras canções trazidas pelas guitarras, as melodias cantam sem precisar de uma voz. Cada nota é sentida, cada canção é uma história, e assim, pude vivenciar uma viagem sonoro instrumental e ter a atenção tomada.

No concerto, Estevan Gutiérrez toca guitarra e percussão (bongôs e maracas) e Alejandro Gutiérrez a guitarra de Lap Steel (instrumento que fica na posição horizontal, sobre o colo do músico). Durante o show, as canções eram em sua maior parte dos dois últimos álbuns da dupla. “Sonido Cósmico” (2024), que é produzido pelo Dan Auerbach, guitarrista e vocalista da banda The Black Keys (recomendo ouvir), e “El Bueno y el Malo” (2022).

Imagens: https://www.hermanosgutierrez.ch/

No decorrer do espetáculo, a fumaça se mistura com a luz baixa e amarelada trazendo uma atmosfera de velho oeste, parecendo um duelo entre irmãos, mas o que acontece no palco é o oposto, eram suas guitarras que pareciam se entrelaçar entre ritmos e melodias. Uma hora mais lentas e pensativas, outra, mais solitárias. Aos poucos outros instrumentos de percussões (ritmo) foram ganhando espaço em outras canções. Vale o destaque para as músicas: “Lagrimas Negras”, “El Fantasma”, “Três Hermanos” e “El camino de mi Alma”.

Essa sonoridade marcante do duo, vem dos lampejos de eco das guitarras que reverbera nas músicas simulando uma cavalgada. Isso mesmo que você leu. Quando ouvir a dupla, preste atenção! Eles também utilizam o “Loop Station” um pedal que grava o som do instrumento instantaneamente e o reproduz em seguida, podendo criar várias camadas sonoras durante a canção. Usado também como base de gravação dos bongôs e maracas ao vivo. (mais detalhes, você encontra no vídeo abaixo).

Ao final do show, tenho a nítida percepção da marcante sonoridade latina que os músicos trazem. Com um repertório cheio de camadas instrumentais, rítmicas e melódicas e a sua própria identidade sonora, a dupla me fez sentir como se eu estivesse em uma estrada no deserto da costa sul-americana, no meu clássico El Camino (1970).

Sem dúvida os músicos dão um certo frescor na indústria fonográfica instrumental, que hoje, precisa produzir artistas e canções massivamente para consumo rápido, visando apenas o lucro. O que faz os Hermanos Gutiérrez irem na contramão disso tudo.

Depois desse breve ponto de vista sobre a dupla, espero ter despertado sua curiosidade. Ouça com atenção e tire suas próprias conclusões. E porque não esperar futuramente ouvi-los em trilhas de filmes também? Quem sabe?!

Imagem (Capa) : Jim Herrington

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