Feral Roots é uma obra-prima em suas raízes musicais

Os mais antigos dizem com orgulho que na sua época tiveram gigantes como Led Zeppelin, Rush e Black Sabbath. Posso dizer, com toda a certeza, que na minha tive Rival Sons e o álbum Feral Roots, de 2019. É um disco de gente grande, cheio de talento e um imenso potencial através da sintonia entre os integrantes. Eles souberam canalizar nesse álbum toda a maturidade de estrada, com uma sonoridade expansiva, cheia de elementos musicais, texturas sonoras, instrumentais e vocais hipnóticos e místicos. Tudo isso fez uma obra absolutamente impressionante. Ouvindo-o novamente para escrever esse texto, a impressão só se solidifica mais. Ninguém tem a sonoridade que eles têm.

Esse disco é colossal em qualidade e teremos uma noção da importância que ele terá daqui a alguns anos, a banda não deve nada para os grandes dos anos 70. O álbum foi produzido por Dave Cobb. Ele e os músicos trabalham juntos desde o primeiro trabalho do grupo de 2009, Before the Fire.


O álbum tem como base o rock/blues com elementos da música gospel e backing vocals que enriquecem o trabalho do início ao fim. Tendo momentos mais contemplativos, espirituais e florestais.Tudo isso com timbres das guitarras de Scott Holiday conduzindo o disco de uma forma sublime. Na parte rítmica temos Michael Miley na bateria e Dave Beste no baixo, trazendo uma solidez e corpo para as canções de forma certeira e cativante. Contando também com os vocais hipnotizantes e espirituosos de Jay Buchanan. (Veja qualquer vídeo dele ao vivo, é assombrosa a personalidade e força que o cantor traz para o palco.)

Os principais compositores da banda são Buchanan e Holiday e no processo de criação do álbum a banda se isolou em um lugar pantanoso do estado de Tennesse (EUA) para produzir grande parte das canções presentes na obra. Para se ter uma ideia do conceito, Buchanan diz a RockSverige “ A ideia do disco é dar um reconhecimento a natureza que existe em você, aquela parte sua que não pode ser domesticada”. O disco abre com o pé na porta com o poderoso refrão da canção Do Your Worst, sendo pesada de uma forma atual e moderna. O nível continua lá em cima com vocais e instrumental intercalando momentos rítmicos na Sugar on the Bone. Na terceira faixa temos uma pegada envolvente de Michael Myles, que chega derrubando tudo com sua bateria, junto as backing vocals na Back in the Woods. Na faixa seguinte a chave vira, mas sem perder a qualidade.
Look Away traz no seu início violões que desaguam em algo mais confessional nas letras, trazendo peso e momentos mais leves nos vocais de Jay. Logo temos a faixa que leva o nome do disco: Feral Roots. Ela tem uma beleza ímpar na forma como vai crescendo nas suas melodias cheias de folk rock. Já Too Bad, traz algo mais bucólico em cima das guitarras de Scott Holiday que ganha força no vocais viscerais de Jay Buchanan.

Agora temos Stood By Me, uma das canções mais swingadas e cheias de groove e funk do disco. Então na 8ª faixa temos Imperial Joy em um ritmo mais cadenciado nas sonoridades da soul music, que também é investida na All Directions, tendo um lado mais harmônico e vocais mais suaves e cadenciados. Na parte final da música temos um instrumental guiado pela guitarra de Holiday e backing vocals. Caminhando para o final, temos End Of Forever, aqui Jay Buchanane a bateria intercalam ferozes momentos com uma levada rítmica muito boa do baixista Dave Beste. E na última faixa, uma das minhas favoritas, Shooting Stars, temos os elementos da música gospel predominantes e os vocais puros de Jay, sendo seguidos por backing vocals femininos lindíssimos e arrasadores que dão fluidez a música, temos uma senhora canção que fecha brilhantemente o álbum.

Depois da audição, a obra despeja em meus ouvidos músicas expressivamente cheias de criatividade, que misturam vários elementos de melodias e harmonia com algo espiritual de cada integrante da banda. O grupo soa maduro e confiante no que despejam nessas “Raízes Selvagens” do disco. Não vou dizer que Feral Roots é um dos melhores álbuns dos últimos anos ou do século XXI, vou além: acho que pode sim estar com os grandes da música, isso só o tempo dirá. O Rival Sons merece ter a sua atenção, em cada faixa e em cada disco.

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