O Solo memorável de Prince em “While My Guitar Gently Weeps”

Você que está lendo esse texto, conhece o Prince? Ou já ouviu falar dele? Independente da sua resposta, vou te dar um motivo, ou melhor, um solo de guitarra para ir mais afundo eu todo o trabalho do gênio em todos os sentidos da palavra. Na ocasião, a sua performance absolutamente hipnótica na canção “White My Guitar Gently Weeps” durante a cerimônia de sua introdução ao Rock and Roll Hall of Fame 2004, que na ocasião contou com outros grandes nomes como Tom Petty, Jeff Lynne e Steve Winwood, tendo o intuito em ser apenas uma homenagem a George Harrison, e acabou sendo uma das maiores performances musicais da história.

Por incrível que pareça, Prince foi chamado de última hora para tocar na canção, a ideia da apresentação para a Olivia Harrison (viúva de George Harrison) era trazer apenas amigos próximos do ex-Beatle e seu filho Dhani, sendo liderados por Tom Petty. Mas o produtor do programa Joel Gallen insistiu e convenceu a ex-esposa de Harrison que seria bom ter Prince na performance, isso renderia um ótimo programa de TV (audiência) devido ao guitarrista ser também um dos induzidos ao Rock and Roll Hall of Fame daquele ano. Essa atitude do produtor foi um dos maiores acertos de sua vida, sem dúvidas.

Gallen então, ligou para o Prince que lhe disse que ouviria a música e entraria em contato em alguns dias. Ficou acordado entre a equipe do artista e a do evento que o músico participaria apenas da parte final da música. Prince diz que um dos motivos para aceitar a tocar foi por sua admiração por Tom Petty e especificamente pela canção Free Fallin. O curioso é que, durante os ensaios o guitarrista Jeff Lynne foi tomando protagonismo nos solos esperando Prince tomar a iniciativa, mas o músico nada fazia, apenas acompanhava a canção, isso fez o produtor Joel Gallen ficar preocupado e chamar Prince para uma conversa, e tendo uma resposta como “ não se preocupe, deixa comigo”.

Agora! preste a atenção, durante a apresentação, Prince fica meio que em segundo plano, nas sombras até por volta de 3 min e 25s, a partir daí, Prince e sua guitarra se anunciam para o público com absoluta autoridade, destreza e força, ele leva a canção para outro patamar melódico e harmônico, fazendo quem está assistindo ficar hipnotizado em sua performance em um palco que tomou para si. Poucos artistas têm esse poder de criar momentos musicais épicos, Prince é um deles. Mais ao final do solo, o músico dá uma pausa e sorri para Tom Petty, como quem quer dizer “Gostou? Tenho mais de onde veio isso”, isso é um exemplo do total domínio de palco, junto a uma inteligência perspicaz e domínio de quem sabe o que está fazendo. A expressão no rosto do filho de George Harrison ao ver Prince de costas sendo segurado pelo segurança, é a expressão de muitos ali presentes. Ao final, Prince joga sua guitarra para cima que é pega pelo técnico Takumi Suetsugu antes que se despedace no chão. Esse último gesto, como se fosse uma saída de cena, mostra a dimensão e o puro talento e seu virtuosismo musical e essa fúria melódica chamada Prince.

A apresentação foi tão marcante e impactante que foi lançado 20 anos depois uma nova versão do vídeo com closes em suas mãos e expressão facial, capturando ainda mais sua intensidade performática e detalhes. Para fechar, deixo uma fala de Tom Petty que viu tudo de cima do palco “Ele simplesmente arrasou. Dava para sentir a eletricidade de que ‘algo muito grande estava prestes a acontecer”.

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